quarta-feira, 27 de abril de 2016

SILENCIADAS

Reportagem literária produzida para a disciplina de "Jornalismo Literário".
Uma das reportagens mais difíceis que realizei. Alguns trabalhos como a reportagem sobre abrigos para pessoas em situação de rua em São Paulo, e a reportagem especial para rádio sobre imigrantes ilegais no Brasil, foram realmente marcantes na minha jornada pelo curso de jornalismo, que está chegando ao fim. Todas essas experiências contribuíram para formar a jornalista que posso dizer que sou hoje, faltando poucos meses para minha formação. 
Os procedimentos para chegar às vezes em 2.000 caracteres, nesse tipo de pauta, geralmente são doloridos, não pelo trabalho de pesquisar, apurar dados, procurar fontes, e sim por ter que lidar com realidades que você, como ser humano, as vezes "esquece" que existem. Machuca, mas engrandece a alma e exerce sobre tudo a humildade e o saber.


SILENCIADAS 
elas decidiram contar suas histórias


PREFÁCIO
O estupro é considerado um dos crimes mais cruéis do mundo, perde apenas para o homicídio e, contraditoriamente, é o crime mais silenciado da história. É o único crime em que a vítima é julgada junto com seu agressor, não apenas pela sociedade, mas também pela própria justiça. Quando há crimes de assédio e violência sexual geralmente é a mulher que é questionada primeiro: com que roupa você estava? Você tinha bebido? Você ficou com ele?
Segundo dados do IPEA, 59% dos brasileiros concordam que exista “mulheres para casar” e “mulheres para ficar”, 58% acredita que se a mulher soubesse se comportar haveria menos estupros. Quando entramos nas casas das vítimas, as estatísticas são ainda piores, 78% da população brasileira acha que o que acontece entre casais em casa não interessa aos outros e 63% pensa que violência doméstica deve ser discutida somente entre membros da família. Dados do Ministério da Saúde concluem que 50% dos estupros que acontecem no Brasil são de crianças de até 13 anos, destes, 68% são cometidos por pessoas próximas, como familiares e amigos.
A vergonha e o medo dos questionamentos impedem que as vítimas de violência sexual reportem o estupro e denunciem seus agressores, o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou uma média de 50 mil vítimas por ano, só no Brasil. Mas o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) acredita que esse dado represente somente 10% dos casos. Resultando em um número surpreendente de meio milhão de pessoas estupradas todos os anos no país, onde 90% dos casos são omitidos. Isso significa que os agressores continuam impunes e cometendo mais crimes do gênero. E as vítimas, sem acompanhamento médico e psicológico, reprimidas e envergonhadas, pois muitas acreditam que a culpa realmente foram delas.
Na elaboração desta reportagem, foi assustadora a facilidade em encontrar vítimas de estupro, em se falando apenas nas dispostas a falar. A maioria declarou que se sentiram, em algum momento, culpadas pelo o que aconteceu. A maioria não contou para a família, e demorou até terem coragem de contar a alguém de confiança, geralmente uma amiga. Não reportaram a polícia por acreditar que seriam julgadas e/ou não iria resultar na prisão do agressor. A única que viu seu agressor ser preso aguarda há dois anos o julgamento.
Aqui, elas compartilharam os momentos de pavor que viveram nas mãos de seus agressores, suas angústias entre se culpar e serem julgadas. Elas acreditam que suas histórias possam criar mais empatia na sociedade, e fazer ouvir seus silêncios que foram consumidos pelo desespero.






O ÚLTIMO TREM
“Espero que esse trabalho possa chegar em muitas mulheres e evitar que muitas pessoas passem por isso”. Foi assim que M. começou o seu depoimento e a compartilhar tudo o que havia acontecido à ela naquele dia. Os primeiros momentos de indignação, depois o desespero e a culpa. A vontade de se fechar em si, a vergonha de contar. E se disserem que eu fui a culpada? Todas as angústias que só quem passa por um estupro pode falar, se falar, como é.
Era pra ser uma noite divertida, fazia frio, mês de junho, o inverno batia na porta. M. tinha dezenove anos, nesta noite, foi assistir uma peça de teatro com as amigas, ao fim do espetáculo, foram à casa de uma delas na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Ali conversaram, beberam cerveja e comeram alguns salgadinhos. Já era tarde quando ela percebeu que precisava ir embora por causa da condução. Ela saiu às 23h40. Era dia útil, e quando chegou ao metrô já não havia mais trens. Conseguiu pegar um ônibus até a estação São Judas, de onde pegaria outro até o terminal Jabaquara, sua estação de destino. Dentro do ônibus a caminho de sua primeira parada, encontra um homem, um senhor de origem oriental, embriagado, porém simpático e os dois acabaram conversando durante o percurso. Ao descer, M. se lembra das últimas palavras daquele senhor, com olhos penetrantes disse à ela: “moça, se cuida viu”. No ponto de ônibus, esperando o veículo que faria o trecho final até sua casa, ligou pela última vez para sua tia, informando onde estava e avisando que, se caso não houvesse mais ônibus àquela hora, ficaria dentro de um restaurante 24h que havia ali perto até que as conduções voltassem a funcionar pela manhã. Sozinha, quase de madrugada, ela se assusta com um grupo de rapazes que aparentemente estavam se divertindo. Entraram no ônibus seguinte, que não era o dela.  Desse mesmo ônibus desce um rapaz de boa aparência, polido e bem vestido. Após alguns minutos ele vai até ela e pergunta sobre o ônibus, ela informa que também o esperava, pois era o mesmo que iria pegar. Afastou-se. Fazia muito frio, o vento que trazia o sereno da madrugada chegara e M. começou a ficar inquieta, considerando a possibilidade de passar a noite dentro do restaurante. Já batia 1h da manhã, quando ela decidiu esperar dentro do estabelecimento. O mesmo rapaz arrumado que estava no ponto também foi para o local. Abordou-a novamente, perguntando se ela estava com fome, ofereceu um suco e um lanche, em princípio ela recusou, começaram a conversar e M. acabou tomando um pouco do suco dele. Em uma última tentativa de ir para casa, ela volta ao ponto, onde alguns minutos depois seu ônibus finalmente passa. “Que alívio!”. Pensou. Dentro do veículo estava aquele mesmo rapaz, porém não conversaram. Ao descer no terminal Jabaquara, percebeu que algo estava estranho, sua visão estava turva, não conseguia enxergar a hora no relógio da avenida, sem equilíbrio nas pernas, sentou-se no banco do ponto. Novamente, aquele jovem a abordou, pela terceira vez, com uma cerveja na mão, perguntando se ela estava bem, “não estou bem, preciso ir pra casa” ela disse a ele, que respondeu: “não vou te deixar assim, espera aqui”. Extremamente zonza e sem conseguir levantar, M. ficou ali sentada, quando ele retornou com um copo de água. Tudo o que houve após isto foi um apagão, uma mistura de reflexos das ruas próximas, moradores de rua e o cheiro do qual ela se lembra bem. Despertou no dia seguinte, nua. “Acordar e ver minhas roupas jogadas em um chão imundo (...) me senti jogada, usada, suja (...) eu preferia a morte” relembra os momentos de horror, sem saber onde estava e nem o que havia acontecido. “Levantei procurei a minha bolsa, meu RG estava fora da minha carteira (...) minhas coisas esparramadas”. M. estava em um quarto de motel, sozinha num chão todo vomitado. Não se lembra muito bem como chegou em casa, ainda se sentia pesada e a cabeça doía muito. “A primeira coisa que senti quando cheguei em casa foi nojo (...) tomei banho com tudo o que você pode imaginar”. Ainda teve febre, náuseas e vômitos durante aquele dia, fora as dores pelo corpo pois estava toda machucada. “A segunda coisa que senti foi culpa, como pude ter dado informação? Como pude beber algo de alguém que eu nem conheço?! (...) a terceira foi raiva, como pode Deus ter permitido isso acontecer comigo?”. Foi uma semana sem conseguir levantar da cama.
M. não conseguiu contar pra ninguém sobre o que aconteceu. Foi à uma UBS (Unidade Básica de Saúde) marcar exames ginecológicos, porém não contou aos médicos, não teve coragem, “me sentia suja, o que iriam pensar de mim?” revelou. Foi à uma farmácia e comprou a pílula do dia seguinte e alguns produtos de higiene íntima. Teve que ir ao hospital pouco tempo depois, algo errado estava acontecendo com seu corpo. Foi identificada com uma DST, felizmente tratável. Realizou também alguns exames de sangue, mas sempre escondendo o fato de ser sido estuprada, “me arrependi de ter escondido, eu poderia ter tido outras intervenções, como uma dose do coquetel da AIDS (...) mas fui fraca, só queria que tudo passasse logo”. Todos os exames deram negativo.
Quase dois anos depois, M. ainda pensa nos momentos de desespero e no tempo que passou sem vontade de viver. A vergonha a impediu de falar com a família, e até hoje nem seus pais, nem a sua avó, com quem mora, sabem o que aconteceu. Em meio a sua luta interna M. conseguiu se livrar dos pensamentos e sentimentos que a estavam levando para o fundo do poço, “tirei da minha mente que era culpada”, confessa que o sentimento de omissão é latente e que falar sobre o assunto ainda é muito difícil, “ainda estou marcada, se sinto o cheiro dele passo mal o dia inteiro”. Ela conta ainda que não consegue se lembrar do rosto do agressor, e que se lembra apenas de uma aliança de casamento em seu dedo esquerdo. M. ainda não superou, e ninguém sabe se um dia isso irá acontecer. Omissa e envergonhada, M. se calou, mas as lembranças que gritam daquela noite de inverno de dois mil e treze nunca deixarão de existir.






A PÁGINA QUE NÃO FOI ESCRITA
Vinte de abril de dois mil e um. Uma data marcada na memória e na carne de C. O dia que uma garota espera que seja o dia mais perfeito, o dia que será guardado para o resto da vida em uma página do seu diário e no seu coração.
A história de como C. perdeu a virgindade não poderá ser contada para seu filho, nem para seu marido, nem pôde ser contada para sua falecida mãe. Não poderá ser lembrada como um dia especial, este dia que ela se lembra muito bem, mas na verdade, ela bem que queria não lembrar.
Hoje, com vinte e oito anos, casada e mãe de um menino lindo, C. se recorda do dia em que foi estuprada por um conhecido. O agressor então com vinte anos de idade, ela tinha treze. Como ela relata “foi um presente de aniversário pra ele, ele dizia isso pra mim enquanto acontecia”.
C. mora na cidade de Suzano, na região do Alto Tietê, nasceu, cresceu e vive na mesma casinha, construída pelo pai nos fundos da casa da tia. Há quinze anos foi à casa de um conhecido com uma amiga, no Itaim Paulista, ela já o havia visto algumas vezes nos encontros da turma. Neste dia só estavam a amiga, o então namorado dela e seu cunhado, o conhecido. Era aniversário dele. Todos assistiam filmes na sala. Em determinado momento, C. foi convidada pelo cunhado da amiga a ir ao quarto, com o argumento de que era para deixar o outro casal “mais a vontade”. No quarto, o primeiro beijo foi consensual, mas as mãos e o entusiasmo do agressor a assustaram, “ai ele trancou a porta, eu mandei abrir e ele não quis” relembra. A jovem de apenas treze anos ainda gritou por ajuda, mas os amigos do lado de fora não ouviram, ou fingiram não ouvir. Foi então que ele jogou a chave da porta em cima do guarda-roupa e começou a tirar a roupa dela. Em estado de choque e com medo que o rapaz a machucasse C. ficou imóvel. “Ele era forte, não tinha como eu sair, fiquei sem reação nenhuma (...) assim que ele gozou pedi chorando pra que ele abrisse a porta e ele abriu”.
Com ódio em suas palavras, C. se questiona o porquê de não ter conseguido escapar do agressor “hoje a história talvez seria outra mas, infelizmente, não tinha a cabeça que eu tenho hoje”. Ela nunca o denunciou. Nunca mais o viu. Ficou sabendo por amigos que ele foi morar no Paraná algum tempo depois do que aconteceu. Mas se lembra bem da personalidade e das marcas que o agressor deixou em sua vida. “Ele era uma pessoa prepotente, que queria ter até o que não podia (...) era rico, tinha uma casa enorme (...) sempre tinha tudo o que queria não importava o que, onde, como, o importante era conseguir”, fala como quem lembra o semblante de alguém presente.
C. nunca contou a ninguém, fingiu que não havia acontecido nada, por medo do agressor, por medo de ser julgada pelos amigos e pela família. Por vergonha. Mas C. se lembra e disse que nunca irá se esquecer, do dia vinte de abril de dois mil e um.








UMA NOITE DE HORROR NA CIDADE MARAVILHOSA
Tinha praia, tinha sol, tinha amigos e cerveja. Tinha uma graduação quase no fim, tinha um TCC com tudo pra dar certo, não havia mais nada que D. quisesse naquele momento. Tudo estava dando certo. Era para ser um fim de semana memorável naquele lugar maravilhoso. E foi. Mas não no sentido bom.
Setembro de dois mil e quinze, D. cursava seu último ano da graduação em jornalismo, fazia seu TCC sobre mulheres que produzem quadrinhos, a ideia era produzir um documentário. Entrevistou profissionais na região sudeste do país, viajou entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Com suas companheiras da faculdade, sua visita ao Rio corria bem, conseguiu contatar suas fontes, fazer as entrevistas e ainda sobrou tempo para ver alguns amigos que tinha na cidade.  D. conhecia dois rapazes cariocas, pela internet, conversavam há mais ou menos seis anos, ambos amigos em comum de sua turma de São Paulo, onde ela mora. No sábado foi à Bienal do Livro com um deles, ao final do evento, ele a deixou na zona norte da cidade, onde D. havia combinado um encontro com seu outro amigo virtual, para se conhecerem e tomar umas cervejas. Aproveitando a noite carioca, ficaram bebendo em um local bem próximo à casa dele. Até então, aparentemente um encontro com segundas intenções, ela estava confortável com a situação, conversaram durante horas. Uma chuva ameaçando cair, fez com os dois saíssem do local e D. concordou em ir para a casa dele. No caminho houve o primeiro beijo, tudo indicava para uma noite divertida de sexo casual. Na casa estavam sua mãe e a irmã.  Já no quarto, D. começou a perceber atitudes um pouco grosseiras, mas até então a estranheza do rapaz, para ela, não havia indicado nada anormal. Até que, literalmente, ele começou a machucá-la de verdade, “de repente ele ficou muito agressivo, começou a me bater no rosto, no meu peito” relembra. Penetrando-a com muita força, ela pedia para que ele parasse sem ser ouvida. Sabendo que a irmã e a mãe dele estavam em casa ela o ameaçou: “eu disse que ia começar a gritar por socorro”.  Foi então que ele simplesmente parou, virou para o lado e dormiu. Atônita, sem saber muito o que pensar, D. fez o mesmo, mas não dormiu. Esperou até amanhecer para sair logo daquele lugar. Pela manhã não houve conversa, a mãe do rapaz bem receptiva, ofereceu um café da manhã, mas o que ela mais queria era ir para casa. Ele ainda a acompanhou ao ponto de ônibus para que ela chegasse até a rodoviária, sem olhar para o rosto do agressor ela subiu no ônibus em silêncio absoluto. “Quando cheguei em São Paulo, percebi que meu peito estava completamente roxo, ficou horrível” conta.
A relação que era basicamente pela internet, foi como se nunca tivesse existido. Depois do que aconteceu, nunca mais se falaram. No início D. se sentiu culpada, por ter confiado no agressor “sentia que eu tinha provocado tudo aquilo (...) me senti vulgar”. Não o denunciou. Não conseguiu contar para sua mãe, com quem tem um relacionamento muito próximo. Contatou uma amiga e finalmente desabafou. Demorou até D. assimilar que o que havia acontecido tinha sido, na verdade, um estupro. Quando a ficha caiu, ela se sentiu extremamente mal, “é um sentimento que não desejo para ninguém”, ela conta também que depois do que aconteceu, ficou muito desconfiada com homens, “já acho que vão me machucar, que vão fazer a mesma coisa (...) hoje tenho um pavor do casual, perdi aquela coisa sabe?” desabafa. Menos de um ano se passou, D. hoje está formada, seu TCC foi um sucesso, mas as lembranças daquele dia na cidade maravilhosa ainda vívidas em sua mente a transformaram em uma outra mulher, amedrontada e marcada pela desconfiança.







O INIMIGO MORA AO LADO
Morando com os pais e seus quatro irmãos na Grande São Paulo, J. sempre foi uma moça que correu atrás dos seus objetivos. Para ajudar em casa trabalhou em diversos lugares e nunca se importou de pegar no pesado. No período entre o ano de dois mil e um e dois mil e treze, trabalhava em uma drogaria, num sistema de escala que fazia seus horários de entrada e saída do trabalho variar bastante. Foi numa manhã de domingo, por volta das seis horas, a caminho para seu trabalho, que a vida de J. mudou repentinamente. Permanentemente.
Fazendo seu percurso habitual, há apenas três quadras de sua casa foi abordada por um homem, que em princípio anunciou um assalto, já bem agressivo, pegou J. por trás, agarrando seu pescoço. Forçou-a á sentar no ponto de ônibus e ordenou que entregasse seus pertences, ela obedeceu, entregando a ele sua carteira e seu celular. Em seguida, a obrigou a acompanhá-lo. Sem saber se o indivíduo estava armado e sob diversas ameaças de morte, J. foi com ele até um terreno cercado por muros, ele então a fez pular para dentro do local. “Dentro do terreno não se via nada além de muros e mato muito alto”, com detalhes, J. se lembra das próximas horas que passou refém do agressor. Obrigada a colocar as meias que usava nos pés dentro da boca e com a blusa de moletom que estava amarrada em sua cintura sob seu rosto, J. foi estuprada por cerca de uma hora. Com medo de morrer, não reagiu, tentando manter o controle, ela esperou até não sentir mais o corpo do agressor sobre o dela, então tirou a blusa que encobria seu rosto. Para sua surpresa, ele estava sentado a sua frente, com os pertences que havia lhe roubado organizados em fileira, friamente a observava. “Nesse momento veio um medo muito grande, porque sabia que ele não iria me soltar, que eu não sairia viva dali”, em meio a lágrimas, implorou para que ele a soltasse, ele negou. Momentos depois, ele se reaproximou dela para continuar a violentando. Cansada daquela situação, resolveu lutar pela sua vida. Ela então o chutou no peito fazendo com que ele caísse para trás, “aproveitando esse espaço comecei a gritar por socorro o máximo que consegui” relembra. Os dois então entraram em luta corporal, “ele me enforcava o tempo todo e, em diversos momentos, senti meu corpo extremamente mole e minha visão turva”, já sem forças para sustentar a defesa contra um homem de cerca de 1,80 de altura, seus braços estavam cedendo e as mãos do agressor ficando cada vez mais agarradas ao seu pescoço. Foi quando ouviram uma voz vinda do alto do muro, eram três policiais que pularam imediatamente para contê-lo com arma em punho. “Eu apenas agradecia a Deus, finalmente aquilo havia acabado (...) senti uma alegria muito grande, pois naquele dia ganhei mais uma chance de viver e rever as pessoas que eu amo” fala com sincera  gratidão. Os policiais o tiraram do local e o levaram para a delegacia, ela foi levada para a casa, “aí tive a tristeza de ver meus pais ouvindo tudo aquilo dos policiais”, lamenta. No mesmo dia, foi acompanhada dos pais à delegacia, onde prestou queixa e fez o reconhecimento do agressor. Após, foi a um centro especializado na capital de São Paulo para realizar exames e acompanhamento médico, “precisei tomar o coquetel da AIDS por um mês, foi um período muito difícil, a medicação é extremamente forte e me fazia passar mal o tempo inteiro”, conta.
Dois anos e oito meses se passaram desde então, ela ainda aguarda o julgamento do agressor. Soube que ele morava a poucos metros de sua casa, era casado, tinha duas filhas e estava em liberdade condicional por roubo. A família dele mudou-se depois da prisão pelo crime de estupro contra J.
Esse episódio triste em sua vida também é visto por ela como sinônimo de superação. “Porque sobrevivi, porque não contraí nenhuma doença, não parei minha vida, pelo contrário, hoje dou mais valor pra tudo”, ela conclui, com seu jeito sempre alegre, como quem sabe que ainda há muitas alegrias reservadas para se viver.




terça-feira, 10 de novembro de 2015

Projeto Minitelejornal


Minitelejornal produzido pra a disciplina de telejornalismo 

Alunos do 5º semestre de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da FAPCOM.


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Desabafo de uma feminista


Tenho infinita admiração por ativistas do feminismo, que saem as ruas, que organizam levantes, movimentos e, que tem acima de tudo, paciência. 

Digo isso porque eu sou uma feminista, nasci feminista, foi assim que aconteceu. Desde pequena tive a sensação de que algo estava errado, porque eu era menina. Questionamentos talvez surgiram porque eu via que meus primos e meu irmão por exemplo, tinham muito mais direito de ir e vir do que eu. Sempre tive regras em relação a postura, roupas, trejeitos. Era uma descarga de "não pode isso", "não pode aquilo". Lembro uma vez da minha avó ficar horrorizada e dizer que eu nunca ia ser uma moça daquele jeito, tudo isso porque eu não consegui colocar uma blusa mais justa sem enrolá-la nas costas. Graças as forças do universo, além de feminista, eu nasci rebelde, dentre tantas outras coisas, eu nunca aceitei estar em uma posição que considerasse injusta. 

Fui/sou muito dura em relação as minhas decisões, chateei tantas pessoas que amo, por uma causa: a de ter o direito de fazer as minhas próprias escolhas. É muito difícil as pessoas aceitarem isso, digo por experiência própria, e acredito que muitas mulheres compartilham isso comigo. 

Cerca de 99% das pessoas que eu conheço simplesmente não entendem que mulher pode fazer o que ela quiser, sem dar satisfação, sem precisar mostrar nada pra ninguém. Mulher não precisa de marido, de filho, de postura. Mulher não precisa de nada pra ser feliz, a não ser a vontade dela.

A minha admiração pelas ativistas é porque eu não consigo mais discutir, mais debater. Quando alguém me fala "feminismo é falta de rola", sinto que a ignorância do ser é tão forte, que eu fico até fraca, penso: será que vale a pena mesmo discutir? Será que eu vou mudar alguma coisa no pensamento delx, ou eu só vou passar raiva e ir dormir com a cabeça pesada pensando em todas as outras merdas que elx vai acabar falando e eu não vou gostar? Assim, prefiro o silêncio.

O que eu faço hoje é o que eu fiz a minha vida inteira, mesmo sem saber, não me curvar a esse pensamento MACHISTA, SIM, que está entranhado na sociedade. Dói-me o coração ver uma mulher falando mal da outra. Dói-me ver uma mãe podando uma filha, para que ela seja "uma mulher pra casar", dói-me profundamente.

Assim, presenciando tudo isso, eu fui me moldando pra fora. E foi triste, é triste. Mas também libertador. Todas as brigas com a família por não querer lavar a louça enquanto os homens tomavam cerveja e assistiam o futebol, todas as noites chorando por não entender o porquê tudo era daquela forma, me deram forças e colocaram em frente a esta luta diária, que muitos não entendem, chamada feminismo.

Hoje, sou casada, em uma relação heterossexual, nunca me imaginei casada, porque nunca imaginei que existia um homem NORMAL. Compartilhar igualmente as tarefas de casa, não definir que roupas eu uso, de que forma devo me portar, com que tom de voz devo falar, isso é atitude de uma homem normal, em minha opinião. Não digo que ele é feminista, pois também compartilho da ideia que homem é feminista até a hora que pisar no calo, vulgo ego, dele. Mas não creio que seja necessário, ele sendo normal já está ótimo.

Uma coisa curiosa que vivencio ao lado do meu marido, é ter que lidar com o machismo que se instalou contra ele, pelo fato de não termos uma relação (perante a sociedade) convencional. Isso tudo porque eu falo abertamente do feminismo a hora que eu quiser, uso a roupa que eu quiser, bebo o quanto eu quero, falo palavrão, enfim, tenho a "permissão" para ser eu mesma, vê se pode. Recebemos uma porrada de deboche de amigos e até familiares, com aqueles nominhos "frouxo", "pau mandado" bla bla bla. Acho que ele sente a mesma coisa que eu, o quão é grande a ignorância alheia, e o desgaste mental e salivar que seria ter que explicar tudo. Não vale a pena.

O presente, e pessoal, desabafo, é apenas para enfatizar minhas fraquezas e também minhas virtudes. Meu sofrimento diário está diminuindo, graças às outras mulheres que também colocam a boca no trombone e estão conquistando o seu espaço, que é de direito. Fico atônita quando me deparo com uma mulher que não acredita no feminismo, a mesma mulher que pega o transporte púbico, que ganha menos, que tem uma relação abusiva, que acredita que seja seu dever trabalhar, cuidar de casa, de filho, transar... É uma sensação que realmente, eu não tenho a capacidade de explicar.

Luto todo dia, da forma que posso, derrubando o machismo que ousa aparecer na minha humilde vida. Dando o exemplo. Sofrendo em silêncio, mas resistindo, sempre.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Fica ou não fica?


Fica ou não fica?

Atual crise política e ameaça de impeachment da presidente Dilma divide opiniões entre brasileiros

Desde as últimas eleições presidenciais em outubro do ano passado a presidente Dilma Rousseff tem sofrido pressões da população após a tomada de diversas medidas contrárias as propostas em campanha, como o aumento de juros e redução de investimento em programas que foram os carros-chefe do Partido dos Trabalhadores desde o governo Lula, como o FIES e o Ciências Sem Fronteiras que foi literalmente cessado este ano, sem previsão de abertura de novas bolsas de estudo.

Além de todos estes fatores, a alta do dólar e uma possível crise econômica agravam a rejeição popular ao atual governo. Algumas manifestações foram organizadas em todo país pedindo pela saída da presidente.  O estopim foram as acusações de corrupção envolvendo a maior empresa estatal do país, a Petrobrás. O pedido de impeachment de Dilma nas ruas não é a única reclamação do povo, o acumulado de insatisfações motivou diversas pessoas a saírem às ruas, cada uma com suas particularidades ideológicas.

O vereador Marcos Santana eleito pelo PSDB, acredita que o impeachment da presidente seria uma forma de mostrar que o povo e a vontade popular estão acima de seus governantes “Esses políticos se apoderaram da coisa pública para fazer negociatas como se tudo lhe pertencessem, assaltaram o nosso banco público e a presidente não pode alegar desconhecimento por duas razões: primeiro porque é Chefe da Nação e, segundo porque foi beneficiada por esse esquema fraudulento” comenta. Ainda segundo o representante público, o impeachment mudaria a política dos próximos governos e ajudaria na desconstrução da cultura do “tudo pode” no país “o crime de responsabilidade da presidente no que diz respeito ao petróleo, por exemplo, não está relacionado a ela ser ré ou se vier a ser condenada pela operação Lava Jato, é o comportamento dela em relação as pessoas envolvidas” complementa.

Na última manifestação que ocorreu em São Paulo no dia 16 de agosto, foi evidente a presença de diversos grupos, alguns pedindo pelo impeachment, outros a retomada do poder pelos militares, o fim da corrupção e até alguns mais extremistas, com hinos e faixas que enunciavam preconceito.
A aposentada Regina Gurgel presenciou as manifestações das Diretas Já e o impeachment do presidente Collor, ela acredita que esses momentos da história política do Brasil ajudaram a repartir a população entre direita e esquerda, mas que nada impediu que os governantes formassem alianças partidárias e constituíssem esquemas de corrupção desde então “A presidente Dilma já assumiu o país num processo de corrupção muito forte, a corrupção vem desde todos os tempos, ela não é culpada pela corrupção, ela pode ter sido mais passiva do que deveria, mas acho que um país democrático é aquele que respeita o governo que ele elege”. A ex-gerente da empresa VASP ainda salienta que “o povo brasileiro está mais amadurecido para refletir em cima disso, existe uma parte da mídia atuando  e golpe de Estado também se dá de uma forma sutil”.

O historiador Alfredo José acredita que as manifestações são democráticas mas, que os mais interessados são representantes das chamadas classe A, donos de empresas, latifundiários e representantes de bancadas evangélicas “essas manifestações só estão acontecendo com força no sul e sudeste porque estão mexendo com um povo, vamos dizer uma classe social mais alta, que não aceita muita coisa que melhorou no país, por exemplo uma pessoa que tem sua faxineira hoje dividindo um banco de avião” , o professor também afirma que a mídia influencia muito as pessoas e que não acredita no impeachment da presidente “um governo de esquerda nunca ficou tanto tempo no poder, acho necessária a troca, mas não acho necessário  voltar essas pessoas que controlaram o nosso país durante muito tempo, desde a ditadura militar, reacionários que não querem mudança,  querem deixar o a população no mesmo status quo de sempre” desabafa o profissional.

Segundo o Instituto Data Folha, cerca de 135 mil pessoas participaram do protesto em São Paulo na última manifestação, já a Polícia Militar contabiliza 350 mil manifestantes.

O supervisor de vendas Rodrigo Santana é contra o impeachment, para ele “não tem como culpar só uma pessoa, por qualquer situação que o país esteja enfrentando seja econômica ou social”, o profissional que trabalha em um dos locais mais frequentados pela classe alta paulistana, a rua Oscar Freire, também não acredita que os sucessores de Dilma no caso de um impeachment estejam capacitados para exercer a função na situação que o país se encontra “acho que parada a Dilma não está, isso tem que ser levado em consideração, ela pode não estar tomando as melhores atitudes ou demorando um pouco, mas com certeza alguma coisa está sendo feita (...) ela está aí, ela resolve o problema, e acho também que toda aparte da sociedade tem que fazer o papel de entender e correr atrás principalmente na parte financeira, tentar se adaptar a situação e continuar movendo a máquina da economia porque senão realmente se todo mundo se assustar vai parar e a culpa não vai ser só dela.”


As manifestações contra a presidente e seu partido são organizadas pela internet, nas redes sociais por grupos auto intitulados de neo-liberais, como o Revoltados Online e Movimento Brasil Livre.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O hipnotista

Resenha literária produzida para a disciplina de jornalismo cultural. Juntando o útil ao agradável já que ler é uma das minhas atividades favoritas.





O hipnotista. KEPLER, Lars. Ed. Instrínseca. RS 39,90


Perigosa Psique

Quando um médico se dedica a cuidar da mente dos outros pode acabar entrando em um terreno obscuro e se difundir àquelas memórias escondidas. A hipnose torna-se perigosa quando seus pacientes já não sabem mais distinguir suas lembranças da própria realidade.                                                                                                    


Uma semana. É tempo suficiente para que a vida do psicanalista Erik Maria Bark mudasse radicalmente desde seu último atendimento. Há mais de dez anos sem praticar hipnose, ele se vê obrigado a retomar a técnica para descobrir pistas de um sangrento assassinato na cidade de Tumba na Suécia. Juntamente com o investigador Joona Linna, Erik acaba se envolvendo no caso que deixou uma família inteira morta de forma cruel e fria. Com apenas um sobrevivente à chacina, Josef Ek, o filho do casal vítima do ataque. Erik quer ajudar a polícia a encontrar o verdadeiro assassino e, para isso, hipnotiza o garoto de quinze anos de idade, ainda no hospital. A irmã mais velha de Josef, Evelyn, mora em outra cidade e a polícia acredita que ela pode estar correndo risco de vida, já que o alvo do criminoso, aparentemente, fora exterminar toda a família de uma vez. 

(p.29)"Sob a luz fria do saguão, Joona viu que os corpos ensanguentados tinham sido arrastados pelo chão. Gotas de sangue cobriam a chaminé de tijolos aparentes, a televisão, os armários da cozinha, o forno. Joona observou o caos: a mobília virada, a prataria espalhada, as pegadas e marcas de mão desesperadas. Quando parou em frente ao corpo mutilado da garotinha, lágrimas começaram a correr por seu rosto. Ainda assim, se obrigou a imaginar com exatidão o que havia acontecido: a violência e os gritos."

O que não se podia esperar no desenrolar da narrativa é que a história começaria a desconstruir as expectativas criadas no início em relação à autoria dos crimes. E recorrentemente os autores o fazem novamente. Assim, nunca sabemos o que ocorrerá adiante, tornando o livro extremamente intrigante. 

O inverno sueco retratado pelos autores ajuda a reforçar o clima de mistério que perdura por toda a narrativa. Paisagens inóspitas, montanhas e neve dão o cenário às investigações iniciadas pela polícia, mas que aos poucos envolve toda a família do psicanalista. Acontece que devido às suas antigas experiências com hipnose, ele acabou influenciando as vidas de seus antigos pacientes. Com a retomada, o hipnotista se vê cercado de mentes conturbadas e perigosas que querem se aproximar dele novamente.                                                                                                                                                                                                                                              

Freud explica

A abordagem psicológica torna-se interessante, pois parte dos protagonistas de distúrbios psicológicos são crianças e adolescentes. Relata uma realidade rebuscada de Freud, que fundamentou as fases da construção do EU em vivências da infância que ele acessava através da hipnose. Traumas de infância que dão origem a problemas psíquicos profundos na vida adulta são mostradas em O hipnotista através dos diálogos entre paciente e psicanalista, no caso Erik.  

Assim como Freud, as técnicas de seu tratamento com seus pacientes foram criticadas pela sociedade e principalmente pela mídia. Fazendo Erik abandonar a hipnose por mais de uma década.

Um extenso capítulo é destinado a contar as histórias individualmente dos pacientes de Erik, antes dele cessar a prática de hipnose. O psicanalista participou de uma pesquisa que ajudava vítimas de grandes traumas a se recuperarem psicologicamente através da técnica Freudiana. Um prato cheio para quem gosta de psicologia.

(p.94) " - Tudo bem, tudo bem - sussurra Kristina de forma tranquilizadora. Ela puxa a garota mais perto e acaricia sua cabeça. Mas de repente grita e empurra Evelyn para longe, direto no chão.
 - Maldição, ela me mordeu... Ela me mordeu, porra!

Kristina olha espantada para os dedos cobertos com sangue que escorre de um ferimento no meio do pescoço.

No chão, Evelyn esconde um sorriso perturbado com a mão. Então seus olhos reviram-se e ela fica inconsciente."


O romance policial do pseudônimo Lars Kepler (Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril), ganha mais sangue em O hipnotista, o primeiro livro do casal sueco. Lançado em 2009 na Suécia, hoje está publicado em mais de 30 países. O segundo volume da série aborda o inspector Joona Linna e foi publicado em 2011 com o título de O Executor. Alexander Ahndoril, já possui outros títulos de sua autoria mas ambos foram premiados pela execução de O hipnotista.


Sem nunca perder o clima de suspense, a história vai se desenrola de forma pertinente, e que surpreende o leitor a cada capítulo. Os acontecimentos são movidos a tensão e medo. Em algumas passagens, um suave arrepio transcorre a espinha de quem lê. Aumentando a curiosidade de saber quem realmente fez o quê e, qual o grau de envolvimento dos personagens na trama, já que isso vai sendo revelado aos poucos.

(p.186)"Assim que entram no vestíbulo são atingidos pelo nauseante cheiro de sangue azedo. Durante um breve momento Simone sente o pânico aumentar em seu peito: o fedor é podre, doce, não muito diferente de excremento. Ela olha para Kennet. Ele não parece perturbado, apenas concentrado, os movimentos calculados com cuidado. Passam pela sala. Com o canto do olho, Simone tem uma visão das paredes e da lareira de pedra-sabão manchadas de sangue, o caos absoluto, o medo se erguendo do chão.

Ouvem um rangido em algum lugar dentro da casa. Kennet fica imóvel, saca calmamente sua antiga pistola de serviço, solta a trava de segurança e confere que está carregada. 

Ouvem mais alguma coisa: um barulho oscilante, pesado, arrastado. Não parecem passos. Parece alguém se arrastando lentamente."

Extremamente viciante. Você pode acabar com quatrocentas páginas em poucos dias, já que a história possui reviravoltas constantes, o que acaba "enganando" o leitor em vários momentos. Não é o tipo de livro que se mata a charada antes do final, o que deixa tudo mais intrigante. A descrição psicológica dos personagens ganha muito mais força neste suspense e faz com que o leitor se transporte para as sessões de hipnose junto com os pacientes e o próprio doutor Bark. As entrelinhas da psicologia e a dinâmica de um romance policial recheado de sangue e crueldade, nesta receita com certeza o casal Anhdoril acertou.






quarta-feira, 15 de abril de 2015

O tabagismo no Brasil



 Ouça a matéria produzida para a disciplina de radiojornalismo da FAPCOM através do link:


De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável no planeta. Estima-se que cerca de 200 mil pessoas morram todo o ano no Brasil em decorrência do fumo.

Em 2014, o Ministério da Saúde em parceria com o IBGE realizou a Pesquisa Nacional da Saúde (PNS), que abrangeu mais de 63 mil brasileiros.

A partir desta iniciativa foi identificada a queda do número de fumantes no país em 17% desde seu último levantamento feito em 2008.

O aposentado Claudio Battaglini, comenta sua experiência como fumante há mais de cinquenta e um anos.
Hoje com 67 anos, Claudio afirma que já tentou parar de fumar sozinho inúmeras vezes mas que o vício sempre o venceu.

Estudos comprovam que os males do cigarro afeta não apenas quem fuma, mas também aqueles expostos à fumaça do cigarro. 

Em São Paulo a lei Antifumo, já em vigor, acompanha uma tendência internacional adotada em cidades como Nova York, Londres, Paris e Buenos Aires.

Para aqueles que pretendem parar de fumar, o Sistema Único de Saúde (SUS) possui tratamento específico, disponibilizando medicamentos e o acompanhamento profissional.

Comentários, críticas e sugestões são bem-vindos.
Continue acompanhando o blog e participe das enquetes. É muito bom compartilhar essas experiências com vocês.

See you later!

 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Viagem para o esquecimento


O longa-metragem que aborda de forma sensível e extremamente íntima a doença de Alzheimer

 
Este drama comovente é baseado no romance da escritora Lisa Genova e conta a história de Alice Howland (Julianne Moore), uma renomada professora de linguística da Universidade de Columbia em Nova York nos Estados Unidos. 

Em uma mesa repleta de taças e vinho branco, um brinde é feito em homenagem aos cinquenta anos de Alice. A sua volta, o marido e médico John (Alec Baldwin) e seus dois filhos mais velhos comemoram a data em um belo restaurante nova iorquino. Alice é admirada por todos por ser uma mulher extremamente inteligente e brilhante.

Entre dar aulas, escrever livros e praticar esportes, a professora ainda tem um ótimo relacionamento com toda a família, salvo alguns desentendimentos com a sua filha mais nova Lydia, interpretada por Kristen Stewart, devido sua insistência para que a filha curse uma faculdade. Lydia segue uma companhia de teatro e vive com amigos em um  apartamento fora da cidade.

O tema central da trama inicia-se quando a professora percebe que frequentemente esquece algumas palavras e um dia simplesmente se perde caminhando pelo campus da universidade que há anos leciona.

Preocupada, vai a um neurologista e após alguns exames, Alice é diagnosticada com Alzheimer, uma doença incurável que destrói aos poucos as células cerebrais causando a perda das funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem).

O tipo da doença que a afeta é raro e sua alta capacidade intelectual agrava a situação fazendo com que o Alzheimer se espalhe rapidamente por seu cérebro, afetando não só a ela, mas todos ao seu redor.

A luta da personagem contra a doença começa neste momento, e Alice usa de todos os recursos para não se esquecer de quem é e das pessoas que ama. 

"Para Sempre Alice" mostra de forma intimista os efeitos da doença de Alzheimer na professora, que vai declinando-se à doença, perdendo pessoas, posições e a si mesma. Por outro lado o diagnóstico a aproxima de sua filha caçula Lydia, que passa a frequentar sua casa e fica ao lado da mãe quando a doença entra em estágios mais avançados.

A interpretação impecável de Julianne Moore merece destaque, a atriz ganhou mais de 30 prêmios por sua atuação em Para Sempre Alice, incluindo O Oscar, o Globo de Ouro, o Spirit Award, BAFTA, o SAG e o Hollywood Awards.

Outra curiosidade sobre o longa é que ele foi dirigido e coproduzido por cônjuges que enfrentavam um sério problema durante as gravações, o diretor Richard Glatzer casado com Wash Westmoreland desde 2013, estava sofrendo da doença degenerativa ALS (esclerose lateral amiotrófica) em estágio avançado. O filme foi finalizado, mas Richard faleceu três dias antes da celebração do Oscar, onde a atriz protagonista de "Para Sempre Alice" ganhou o prêmio.