sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Desabafo de uma feminista
Tenho infinita admiração por ativistas do feminismo, que saem as ruas, que organizam levantes, movimentos e, que tem acima de tudo, paciência.
Digo isso porque eu sou uma feminista, nasci feminista, foi assim que aconteceu. Desde pequena tive a sensação de que algo estava errado, porque eu era menina. Questionamentos talvez surgiram porque eu via que meus primos e meu irmão por exemplo, tinham muito mais direito de ir e vir do que eu. Sempre tive regras em relação a postura, roupas, trejeitos. Era uma descarga de "não pode isso", "não pode aquilo". Lembro uma vez da minha avó ficar horrorizada e dizer que eu nunca ia ser uma moça daquele jeito, tudo isso porque eu não consegui colocar uma blusa mais justa sem enrolá-la nas costas. Graças as forças do universo, além de feminista, eu nasci rebelde, dentre tantas outras coisas, eu nunca aceitei estar em uma posição que considerasse injusta.
Fui/sou muito dura em relação as minhas decisões, chateei tantas pessoas que amo, por uma causa: a de ter o direito de fazer as minhas próprias escolhas. É muito difícil as pessoas aceitarem isso, digo por experiência própria, e acredito que muitas mulheres compartilham isso comigo.
Cerca de 99% das pessoas que eu conheço simplesmente não entendem que mulher pode fazer o que ela quiser, sem dar satisfação, sem precisar mostrar nada pra ninguém. Mulher não precisa de marido, de filho, de postura. Mulher não precisa de nada pra ser feliz, a não ser a vontade dela.
A minha admiração pelas ativistas é porque eu não consigo mais discutir, mais debater. Quando alguém me fala "feminismo é falta de rola", sinto que a ignorância do ser é tão forte, que eu fico até fraca, penso: será que vale a pena mesmo discutir? Será que eu vou mudar alguma coisa no pensamento delx, ou eu só vou passar raiva e ir dormir com a cabeça pesada pensando em todas as outras merdas que elx vai acabar falando e eu não vou gostar? Assim, prefiro o silêncio.
O que eu faço hoje é o que eu fiz a minha vida inteira, mesmo sem saber, não me curvar a esse pensamento MACHISTA, SIM, que está entranhado na sociedade. Dói-me o coração ver uma mulher falando mal da outra. Dói-me ver uma mãe podando uma filha, para que ela seja "uma mulher pra casar", dói-me profundamente.
Assim, presenciando tudo isso, eu fui me moldando pra fora. E foi triste, é triste. Mas também libertador. Todas as brigas com a família por não querer lavar a louça enquanto os homens tomavam cerveja e assistiam o futebol, todas as noites chorando por não entender o porquê tudo era daquela forma, me deram forças e colocaram em frente a esta luta diária, que muitos não entendem, chamada feminismo.
Hoje, sou casada, em uma relação heterossexual, nunca me imaginei casada, porque nunca imaginei que existia um homem NORMAL. Compartilhar igualmente as tarefas de casa, não definir que roupas eu uso, de que forma devo me portar, com que tom de voz devo falar, isso é atitude de uma homem normal, em minha opinião. Não digo que ele é feminista, pois também compartilho da ideia que homem é feminista até a hora que pisar no calo, vulgo ego, dele. Mas não creio que seja necessário, ele sendo normal já está ótimo.
Uma coisa curiosa que vivencio ao lado do meu marido, é ter que lidar com o machismo que se instalou contra ele, pelo fato de não termos uma relação (perante a sociedade) convencional. Isso tudo porque eu falo abertamente do feminismo a hora que eu quiser, uso a roupa que eu quiser, bebo o quanto eu quero, falo palavrão, enfim, tenho a "permissão" para ser eu mesma, vê se pode. Recebemos uma porrada de deboche de amigos e até familiares, com aqueles nominhos "frouxo", "pau mandado" bla bla bla. Acho que ele sente a mesma coisa que eu, o quão é grande a ignorância alheia, e o desgaste mental e salivar que seria ter que explicar tudo. Não vale a pena.
O presente, e pessoal, desabafo, é apenas para enfatizar minhas fraquezas e também minhas virtudes. Meu sofrimento diário está diminuindo, graças às outras mulheres que também colocam a boca no trombone e estão conquistando o seu espaço, que é de direito. Fico atônita quando me deparo com uma mulher que não acredita no feminismo, a mesma mulher que pega o transporte púbico, que ganha menos, que tem uma relação abusiva, que acredita que seja seu dever trabalhar, cuidar de casa, de filho, transar... É uma sensação que realmente, eu não tenho a capacidade de explicar.
Luto todo dia, da forma que posso, derrubando o machismo que ousa aparecer na minha humilde vida. Dando o exemplo. Sofrendo em silêncio, mas resistindo, sempre.
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Fica ou não fica?
Fica ou não fica?
Atual crise política e ameaça de
impeachment da presidente Dilma divide opiniões entre brasileiros
Desde as
últimas eleições presidenciais em outubro do ano passado a presidente Dilma
Rousseff tem sofrido pressões da população após a tomada de diversas medidas
contrárias as propostas em campanha, como o aumento de juros e redução de
investimento em programas que foram os carros-chefe do Partido dos Trabalhadores
desde o governo Lula, como o FIES e o Ciências Sem Fronteiras que foi
literalmente cessado este ano, sem previsão de abertura de novas bolsas de
estudo.
Além de
todos estes fatores, a alta do dólar e uma possível crise econômica agravam a
rejeição popular ao atual governo. Algumas manifestações foram organizadas em
todo país pedindo pela saída da presidente.
O estopim foram as acusações de corrupção envolvendo a maior empresa
estatal do país, a Petrobrás. O pedido de impeachment de Dilma nas ruas não é a
única reclamação do povo, o acumulado de insatisfações motivou diversas pessoas
a saírem às ruas, cada uma com suas particularidades ideológicas.
O vereador
Marcos Santana eleito pelo PSDB, acredita que o impeachment da presidente seria
uma forma de mostrar que o povo e a vontade popular estão acima de seus
governantes “Esses políticos se
apoderaram da coisa pública para fazer negociatas como se tudo lhe
pertencessem, assaltaram o nosso banco público e a presidente não pode alegar
desconhecimento por duas razões: primeiro porque é Chefe da Nação e, segundo
porque foi beneficiada por esse esquema fraudulento” comenta. Ainda segundo
o representante público, o impeachment mudaria a política dos próximos governos
e ajudaria na desconstrução da cultura do “tudo pode” no país “o crime de responsabilidade da presidente no
que diz respeito ao petróleo, por exemplo, não está relacionado a ela ser ré ou
se vier a ser condenada pela operação Lava Jato, é o comportamento dela em
relação as pessoas envolvidas” complementa.
Na última
manifestação que ocorreu em São Paulo no dia 16 de agosto, foi evidente a
presença de diversos grupos, alguns pedindo pelo impeachment, outros a retomada
do poder pelos militares, o fim da corrupção e até alguns mais extremistas, com
hinos e faixas que enunciavam preconceito.
A aposentada
Regina Gurgel presenciou as manifestações das Diretas Já e o impeachment do
presidente Collor, ela acredita que esses momentos da história política do
Brasil ajudaram a repartir a população entre direita e esquerda, mas que nada
impediu que os governantes formassem alianças partidárias e constituíssem
esquemas de corrupção desde então “A
presidente Dilma já assumiu o país num processo de corrupção muito forte, a
corrupção vem desde todos os tempos, ela não é culpada pela corrupção, ela pode
ter sido mais passiva do que deveria, mas acho que um país democrático é aquele
que respeita o governo que ele elege”. A ex-gerente da empresa VASP ainda
salienta que “o povo brasileiro está mais
amadurecido para refletir em cima disso, existe uma parte da mídia atuando e golpe de Estado também se dá de uma forma sutil”.
O historiador
Alfredo José acredita que as manifestações são democráticas mas, que os mais
interessados são representantes das chamadas classe A, donos de empresas,
latifundiários e representantes de bancadas evangélicas “essas manifestações só estão acontecendo com força no sul e sudeste porque
estão mexendo com um povo, vamos dizer uma classe social mais alta, que não
aceita muita coisa que melhorou no país, por exemplo uma pessoa que tem sua
faxineira hoje dividindo um banco de avião” , o professor também afirma que
a mídia influencia muito as pessoas e que não acredita no impeachment da
presidente “um governo de esquerda nunca
ficou tanto tempo no poder, acho necessária a troca, mas não acho
necessário voltar essas pessoas que
controlaram o nosso país durante muito tempo, desde a ditadura militar,
reacionários que não querem mudança, querem deixar o a população no mesmo status
quo de sempre” desabafa o profissional.
Segundo o
Instituto Data Folha, cerca de 135 mil pessoas participaram do protesto em São
Paulo na última manifestação, já a Polícia Militar contabiliza 350 mil
manifestantes.
O supervisor
de vendas Rodrigo Santana é contra o impeachment, para ele “não tem como culpar só uma pessoa, por
qualquer situação que o país esteja enfrentando seja econômica ou social”,
o profissional que trabalha em um dos locais mais frequentados pela classe alta
paulistana, a rua Oscar Freire, também não acredita que os sucessores de Dilma
no caso de um impeachment estejam capacitados para exercer a função na situação
que o país se encontra “acho que parada a
Dilma não está, isso tem que ser levado em consideração, ela pode não estar
tomando as melhores atitudes ou demorando um pouco, mas com certeza alguma
coisa está sendo feita (...) ela está aí, ela resolve o problema, e acho também
que toda aparte da sociedade tem que fazer o papel de entender e correr atrás
principalmente na parte financeira, tentar se adaptar a situação e continuar
movendo a máquina da economia porque senão realmente se todo mundo se assustar vai
parar e a culpa não vai ser só dela.”
As
manifestações contra a presidente e seu partido são organizadas pela internet,
nas redes sociais por grupos auto intitulados de neo-liberais, como o
Revoltados Online e Movimento Brasil Livre.
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