Fica ou não fica?
Atual crise política e ameaça de
impeachment da presidente Dilma divide opiniões entre brasileiros
Desde as
últimas eleições presidenciais em outubro do ano passado a presidente Dilma
Rousseff tem sofrido pressões da população após a tomada de diversas medidas
contrárias as propostas em campanha, como o aumento de juros e redução de
investimento em programas que foram os carros-chefe do Partido dos Trabalhadores
desde o governo Lula, como o FIES e o Ciências Sem Fronteiras que foi
literalmente cessado este ano, sem previsão de abertura de novas bolsas de
estudo.
Além de
todos estes fatores, a alta do dólar e uma possível crise econômica agravam a
rejeição popular ao atual governo. Algumas manifestações foram organizadas em
todo país pedindo pela saída da presidente.
O estopim foram as acusações de corrupção envolvendo a maior empresa
estatal do país, a Petrobrás. O pedido de impeachment de Dilma nas ruas não é a
única reclamação do povo, o acumulado de insatisfações motivou diversas pessoas
a saírem às ruas, cada uma com suas particularidades ideológicas.
O vereador
Marcos Santana eleito pelo PSDB, acredita que o impeachment da presidente seria
uma forma de mostrar que o povo e a vontade popular estão acima de seus
governantes “Esses políticos se
apoderaram da coisa pública para fazer negociatas como se tudo lhe
pertencessem, assaltaram o nosso banco público e a presidente não pode alegar
desconhecimento por duas razões: primeiro porque é Chefe da Nação e, segundo
porque foi beneficiada por esse esquema fraudulento” comenta. Ainda segundo
o representante público, o impeachment mudaria a política dos próximos governos
e ajudaria na desconstrução da cultura do “tudo pode” no país “o crime de responsabilidade da presidente no
que diz respeito ao petróleo, por exemplo, não está relacionado a ela ser ré ou
se vier a ser condenada pela operação Lava Jato, é o comportamento dela em
relação as pessoas envolvidas” complementa.
Na última
manifestação que ocorreu em São Paulo no dia 16 de agosto, foi evidente a
presença de diversos grupos, alguns pedindo pelo impeachment, outros a retomada
do poder pelos militares, o fim da corrupção e até alguns mais extremistas, com
hinos e faixas que enunciavam preconceito.
A aposentada
Regina Gurgel presenciou as manifestações das Diretas Já e o impeachment do
presidente Collor, ela acredita que esses momentos da história política do
Brasil ajudaram a repartir a população entre direita e esquerda, mas que nada
impediu que os governantes formassem alianças partidárias e constituíssem
esquemas de corrupção desde então “A
presidente Dilma já assumiu o país num processo de corrupção muito forte, a
corrupção vem desde todos os tempos, ela não é culpada pela corrupção, ela pode
ter sido mais passiva do que deveria, mas acho que um país democrático é aquele
que respeita o governo que ele elege”. A ex-gerente da empresa VASP ainda
salienta que “o povo brasileiro está mais
amadurecido para refletir em cima disso, existe uma parte da mídia atuando e golpe de Estado também se dá de uma forma sutil”.
O historiador
Alfredo José acredita que as manifestações são democráticas mas, que os mais
interessados são representantes das chamadas classe A, donos de empresas,
latifundiários e representantes de bancadas evangélicas “essas manifestações só estão acontecendo com força no sul e sudeste porque
estão mexendo com um povo, vamos dizer uma classe social mais alta, que não
aceita muita coisa que melhorou no país, por exemplo uma pessoa que tem sua
faxineira hoje dividindo um banco de avião” , o professor também afirma que
a mídia influencia muito as pessoas e que não acredita no impeachment da
presidente “um governo de esquerda nunca
ficou tanto tempo no poder, acho necessária a troca, mas não acho
necessário voltar essas pessoas que
controlaram o nosso país durante muito tempo, desde a ditadura militar,
reacionários que não querem mudança, querem deixar o a população no mesmo status
quo de sempre” desabafa o profissional.
Segundo o
Instituto Data Folha, cerca de 135 mil pessoas participaram do protesto em São
Paulo na última manifestação, já a Polícia Militar contabiliza 350 mil
manifestantes.
O supervisor
de vendas Rodrigo Santana é contra o impeachment, para ele “não tem como culpar só uma pessoa, por
qualquer situação que o país esteja enfrentando seja econômica ou social”,
o profissional que trabalha em um dos locais mais frequentados pela classe alta
paulistana, a rua Oscar Freire, também não acredita que os sucessores de Dilma
no caso de um impeachment estejam capacitados para exercer a função na situação
que o país se encontra “acho que parada a
Dilma não está, isso tem que ser levado em consideração, ela pode não estar
tomando as melhores atitudes ou demorando um pouco, mas com certeza alguma
coisa está sendo feita (...) ela está aí, ela resolve o problema, e acho também
que toda aparte da sociedade tem que fazer o papel de entender e correr atrás
principalmente na parte financeira, tentar se adaptar a situação e continuar
movendo a máquina da economia porque senão realmente se todo mundo se assustar vai
parar e a culpa não vai ser só dela.”
As
manifestações contra a presidente e seu partido são organizadas pela internet,
nas redes sociais por grupos auto intitulados de neo-liberais, como o
Revoltados Online e Movimento Brasil Livre.

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