sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Fica ou não fica?


Fica ou não fica?

Atual crise política e ameaça de impeachment da presidente Dilma divide opiniões entre brasileiros

Desde as últimas eleições presidenciais em outubro do ano passado a presidente Dilma Rousseff tem sofrido pressões da população após a tomada de diversas medidas contrárias as propostas em campanha, como o aumento de juros e redução de investimento em programas que foram os carros-chefe do Partido dos Trabalhadores desde o governo Lula, como o FIES e o Ciências Sem Fronteiras que foi literalmente cessado este ano, sem previsão de abertura de novas bolsas de estudo.

Além de todos estes fatores, a alta do dólar e uma possível crise econômica agravam a rejeição popular ao atual governo. Algumas manifestações foram organizadas em todo país pedindo pela saída da presidente.  O estopim foram as acusações de corrupção envolvendo a maior empresa estatal do país, a Petrobrás. O pedido de impeachment de Dilma nas ruas não é a única reclamação do povo, o acumulado de insatisfações motivou diversas pessoas a saírem às ruas, cada uma com suas particularidades ideológicas.

O vereador Marcos Santana eleito pelo PSDB, acredita que o impeachment da presidente seria uma forma de mostrar que o povo e a vontade popular estão acima de seus governantes “Esses políticos se apoderaram da coisa pública para fazer negociatas como se tudo lhe pertencessem, assaltaram o nosso banco público e a presidente não pode alegar desconhecimento por duas razões: primeiro porque é Chefe da Nação e, segundo porque foi beneficiada por esse esquema fraudulento” comenta. Ainda segundo o representante público, o impeachment mudaria a política dos próximos governos e ajudaria na desconstrução da cultura do “tudo pode” no país “o crime de responsabilidade da presidente no que diz respeito ao petróleo, por exemplo, não está relacionado a ela ser ré ou se vier a ser condenada pela operação Lava Jato, é o comportamento dela em relação as pessoas envolvidas” complementa.

Na última manifestação que ocorreu em São Paulo no dia 16 de agosto, foi evidente a presença de diversos grupos, alguns pedindo pelo impeachment, outros a retomada do poder pelos militares, o fim da corrupção e até alguns mais extremistas, com hinos e faixas que enunciavam preconceito.
A aposentada Regina Gurgel presenciou as manifestações das Diretas Já e o impeachment do presidente Collor, ela acredita que esses momentos da história política do Brasil ajudaram a repartir a população entre direita e esquerda, mas que nada impediu que os governantes formassem alianças partidárias e constituíssem esquemas de corrupção desde então “A presidente Dilma já assumiu o país num processo de corrupção muito forte, a corrupção vem desde todos os tempos, ela não é culpada pela corrupção, ela pode ter sido mais passiva do que deveria, mas acho que um país democrático é aquele que respeita o governo que ele elege”. A ex-gerente da empresa VASP ainda salienta que “o povo brasileiro está mais amadurecido para refletir em cima disso, existe uma parte da mídia atuando  e golpe de Estado também se dá de uma forma sutil”.

O historiador Alfredo José acredita que as manifestações são democráticas mas, que os mais interessados são representantes das chamadas classe A, donos de empresas, latifundiários e representantes de bancadas evangélicas “essas manifestações só estão acontecendo com força no sul e sudeste porque estão mexendo com um povo, vamos dizer uma classe social mais alta, que não aceita muita coisa que melhorou no país, por exemplo uma pessoa que tem sua faxineira hoje dividindo um banco de avião” , o professor também afirma que a mídia influencia muito as pessoas e que não acredita no impeachment da presidente “um governo de esquerda nunca ficou tanto tempo no poder, acho necessária a troca, mas não acho necessário  voltar essas pessoas que controlaram o nosso país durante muito tempo, desde a ditadura militar, reacionários que não querem mudança,  querem deixar o a população no mesmo status quo de sempre” desabafa o profissional.

Segundo o Instituto Data Folha, cerca de 135 mil pessoas participaram do protesto em São Paulo na última manifestação, já a Polícia Militar contabiliza 350 mil manifestantes.

O supervisor de vendas Rodrigo Santana é contra o impeachment, para ele “não tem como culpar só uma pessoa, por qualquer situação que o país esteja enfrentando seja econômica ou social”, o profissional que trabalha em um dos locais mais frequentados pela classe alta paulistana, a rua Oscar Freire, também não acredita que os sucessores de Dilma no caso de um impeachment estejam capacitados para exercer a função na situação que o país se encontra “acho que parada a Dilma não está, isso tem que ser levado em consideração, ela pode não estar tomando as melhores atitudes ou demorando um pouco, mas com certeza alguma coisa está sendo feita (...) ela está aí, ela resolve o problema, e acho também que toda aparte da sociedade tem que fazer o papel de entender e correr atrás principalmente na parte financeira, tentar se adaptar a situação e continuar movendo a máquina da economia porque senão realmente se todo mundo se assustar vai parar e a culpa não vai ser só dela.”


As manifestações contra a presidente e seu partido são organizadas pela internet, nas redes sociais por grupos auto intitulados de neo-liberais, como o Revoltados Online e Movimento Brasil Livre.

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